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Processo Adolescentario

Processo adolescentario
  1. Introdução

O presente estudo tem como objetivo apresentar em um viés psicodinâmico os processos cognitivo, intelectual, emocional, afetivo, físico, biológico e social de um indivíduo de 11 anos de idade, o qual transcende comportamentos, por estar em processo de transição do período infantil para o adolescentário.

Segundo as fases psicossexuais de Freud, 11 anos de idade é período de latência, o qual o sujeito está quase adentrando ao estágio genital; para Erick Erickson esta idade é marcada pela fase Indústria versus Inferioridade e o começo da identidade versus confusão de papel. Os quais referem-se ao início do período adolescentário, podendo apresentar sintomas da síndrome normal da adolescência de Maucio Knobel.

Para uma análise do período maturacional

  1. Psicodinamismo da criança/adolescente

2.1. Fases Psicossexuais

Sabe-se que o ser humano está em constante desenvolvimento, e essa evolução prioriza-se na infância e adolescência, período marcado por maneiras de lidar com o meio relacional e social. Para Farias, Nantes & Aguiar (2015), os estudos de Freud acerca do desenvolvimento sexual já na infância, foram fundamentais para o entendimento dos comportamentos inconscientes dos indivíduos.

É a partir da análise de Freud que se fundamentam as fases psicossexuais, referente ao desenvolvimento infantil de acordo com a idade cronológica do sujeito. Para Farias, Nantes & Aguiar (2015), Freud mostrou que o desenvolvimento humano se dá por meio de estágios o qual denominou de oral, anal, fálico, latência e genital.

Quando se estuda um sujeito de 11 anos de idade entende-se que o mesmo esta, possivelmente, no final da fase de latência, adentrando a fase genital. O período de latência ocorre dos 6 aos 11 anos de idade, aproximadamente. É quando ocorre a resolução do conflito edipiano havendo uma identificação com o genitor no mesmo sexo.

“Nada de certo se pode dizer sobre a regularidade e periodicidade das oscilações deste desenvolvimento, mas parece que a vida sexual da criança, por volta do terceiro ou quarto ano, já se manifesta de uma forma que a torna acessível à observação.” (1970, p.90 apud NUNES; SILVA 2000, p.48).

Nele, os interesses da libido são supridos através da canalização da energia sexual direcionada para outras áreas, como, atividades sociais e intelectuais. Esta fase é quando a criança está adentrando ao mundo escola, e tornam-se preocupadas em estabelecer relações com outros colegas, se interessam por diferentes assuntos, e descobrem e potencializam seus principais entretenimentos (Corrêa e Pinheiro, 2013.).

Segundo Farias, Nantes & Aguiar (2015), essa é a fase em que o psicológico do indivíduo adquire maior força, podendo fazer com que no processo de desenvolvimento sexual

ocorram obstáculos a serem vencidos, diante do surgimento de inibições sexuais, eu faço com que aconteça “o desgosto, a moralidade, o pudor e o desejo estético.”

O Estágio Genital é a última fase psicossexual estabelecida por Freud. O início dessa fase é marcado pela transição da infância para a adolescência, a qual pode haver uma busca de satisfação e prazer físico, com o estimulo do próprio corpo. Na adolescência manifestam as primeiras atrações sexuais, e há uma canalização de energia no contato com outras pessoas, com o objetivo de interagir e socializar, além da mudança física e biológica que ocorrem. (Farias, Nantes & Aguiar, 2015.)

Segundo Farias, Nantes & Aguiar (2015) nesta fase cresce o interesse profissional e a preparação para a constituição de uma família. Ressalta-se que um novo estágio não inibe ou exclui os anteriores, mesmo com a chegada do último, todos são imprescindíveis para a formação dos impulsos genitais.

2.2. Fases Psicossociais

Erik Erikson se distingue do pensamento de Freud referente ao desenvolvimento maturacional do indivíduo, sua motivação básica nesse processo também é o inconsciente, no entanto da maior relevância no processo de socialização. Acredita que o desenvolvimento do ego se dá comumente em convergência com o organismo humano e o mundo. (Fiedler, 2016).

Segundo Fiedler (2016), cada uma das oito fases sugere uma crise e uma solução psicossocial, essas crises aparecem por um viés pessoal e social, e se problematizam de acordo com cada estágio maturacional. Para Erikson, o desenvolvimento humano delineia-se no sentido de:

  1. Confiança versus Desconfiança;
  2. Autonomia versus Vergonha e Dúvida;
  3. Iniciativa versus Culpa;
  4. Indústria versus Inferioridade (produtividade pessoal);
  5. Identidade versus Confusão de Papel;
  6. Intimidade versos Isolamento;
  7. Generatividade versus Estagnação;
  8. Integridade do Ego versus Desesperança.

O 4º estágio psicossocial refere-se à Indústria vs. Inferioridade, que ocorre dos 5 aos 12 anos de idade, aproximadamente. Este período equivale à fase de latência estabelecido por Freud, nele os impulsos sexuais, mudam para tarefas de construção intelectual e social, denominada sublimação. Fase em que a criança começa a realizar tarefas, como trabalhar para atingir seu potencial. (Fiedler. 2016).

Segundo Rabelo e Passos (2008) apud. Erikson:

“A entrada para a vida organizada na etapa anterior compreendia os modelos de posicionamento e relacionamento psicossexuais estabelecidos dentro do grupo familiar. Os modelos anteriormente estabelecidos devem agora ser reprimidos, devem tornar-se latentes, ou seja, devem adormecer até que a puberdade os chame para a organização da etapa genital. A busca de atuações fantasiadas ao nível sexual deve ceder lugar à busca de domínio e compreensão das relações impessoais do mundo. Deve desenvolver um sentido de indústria, isto é, “ajustar-se às leis inorgânicas do mundo das ferramentas” (1971, p.238).”

Segundo Rabelo e Passos (2008) neste período é comum as crianças se desvinculares dos pais. Dado que querem fazer outras tarefas, mas tendem a se frustrarem no momento em que descobrem como deverão fazer para realizá-las, além de muitas vezes perceberem certa inadequação para fazer as tarefas impostas. Esse sentimento é definido por Erikson como inferioridade, nele a criança se afastará do grupo familiar, e se ligará a outros grupos, com quem poderá aprender a dominar o mundo.

Segundo Erikson (1976) o período de indústria é quando o indivíduo quer fazer coisas ao lado de outros e com ele, está relacionado ao “ethos” tecnológicos de uma cultura. Neste estágio inicia-se a estruturação dos juízos sobre a divisão do trabalho, da capacidade individual de realização e das diferenças de oportunidades.

O sentimento básico da indústria é “eu sou o que posso aprender para realizar trabalho”. O sentimento de fracasso e inferioridade fará com que ou se submeta às manipulações externas ou que regrida para o núcleo familiar, sempre em busca de afeto. (Erikson 1976)

Para Fiedler (2016) nesta fase as crianças encorajadas e elogiadas por seus pais desenvolvem sentimento de competência e segurança, entretanto, quando não, ocorre uma descrença do seu potencial, dificultando a compreensão e a capacidade de realizar as tarefas com êxito e confiança.

2.3. Síndrome Normal da Adolescência

Para Mauricio Knobel (1988) o processo adolescentário é a fase em há uma exteriorização do processo maturacional do indivíduo. Este período é marcado por instabilidades da personalidade, e há um certo grau de conduta patológica que é considerado uma evolução normal desta etapa da vida.

Segundo Knobel (1988) a síndrome normal da adolescência é integrada por: 1) busca de si mesmo e da identidade; 2) tendência grupal; 3) necessidade de intelectualizar e fantasiar; 4) crises religiosas; 5) deslocalização temporal; 6) evolução sexual manifesta; 7) atitude social reivindicatória com tendências anti ou associais de diversas intensidade; 8) contradições sucessivas em todas as manifestações da conduta; 9) uma separação progressiva dos pais e 10) constantes flutuações do humor e do estado de ânimo.

Este período torna-se patológico devido as mudanças físicas e biológicas que ocorre no indivíduo, é uma dissociação entre o ser infantil e do ser adolescente, essa transformação é marcada por um luto que o adolescente e os pais passam, ambos não estão preparados para tais mudanças. Muitos pais sofrem com as mudanças que ocorrem com o filho, por conta das funções que eram exercidas quando crianças, e essas não são mais necessárias. (Knobel 1988).

Para o adolescente é muito confuso todas as mudanças que estão ocorrendo, a mudança do corpo é uma das principais fontes de desestrutura nessa fase, devido há modificações hormonais que desestabiliza esse sujeito que está entrando na puberdade. Há uma confusão de

papéis devido a não identificação de si mesmo, esse sujeito muitas vezes não sabe quem ele mesmo é, e busca em grupos uma identificação, pertencimento e a autonomia.

2.4. Aprendizagem Piaget

Segundo Piaget (2007), por volta dos 11 e 12 anos, chega-se a grande etapa do processo que leva a criança a se libertar da duração, isto é, saem do contexto psicológico das ações do sujeito e atingem um caráter espontâneo que é o próprio das ligações lógico-matemáticas depuradas. Isto significa dizer que o sujeito já é capaz de realizar operações que estão fora de sua percepção e manipulação, ou seja, situações totalmente abstratas e que exigem raciocínio e

reflexão. Podemos dizer então que nesse momento ocorre uma transformação fundamental no pensamento da criança. Esta passa do pensamento concreto para o pensamento formal, ou seja, para o pensamento hipotético-dedutivo.

De acordo com Piaget (2007, p. 48)” a primeira característica das operações formais consiste em poderem realizar-se sobre hipóteses e não sobre objetos”. Dessa forma, o sujeito é capaz de realizar operações baseado em hipóteses e que não exige necessariamente o uso e manipulação de situações concretas. Piaget afirma ainda que: Para a criança, trata-se não somente de aplicar as operações aos objetos, ou melhor, de executar, em pensamento, ações possíveis sobre esses objetos, mas de refletir estas operações independente dos objetos e de substituí-las por simples proposições. O pensamento concreto é a representação de uma ação possível, torna-se então hipotético-dedutivo e, ocorre a libertação do pensamento, quando a realidade se torna secundária frente à possibilidade.

A criança operatória é capaz de imaginar a ação e também sua anulação. Volta ao ponto inicial de seu raciocínio sem entrar em contradição. Assim, já se mostra capaz de sustentar suas respostas.

O estágio operatório formal tem seu início coincidindo com o período da adolescência. Nesse momento, ocorrem várias mudanças quanto ao comportamento social e a afetividade- as quais relacionam-se às mudanças ligadas aos desequilíbrios enfrentados na puberdade e a maturação sexual. Neste estágio, a capacidade de se pensar em hipóteses através da dedução lógica e abstrata é desenvolvida.

Para Piaget o pensamento formal é uma orientação generalizada, explicita ou implícita, para solução de problemas: uma orientação no sentido de organizar os dados, isolar e controlar variáveis, formular hipóteses e justificar e provar logicamente os fatos.

As operações formais podem ser caracterizadas não só em termos descritivo-verbais gerais, como também em termos das estruturas lógico-matemáticas que são seus modelos abstratos. As operações interposicionais não são ações isoladas sem relações mútuas. Tal como os agrupamentos das operações intraposicionais dos anos intermediários da infância, elas

formam um sistema integrado, e o problema consiste em determinar a estrutura formal deste sistema.

O conjunto de instrumentos conceituais que Piaget chama de esquemas operacionais formais encontra-se num nível intermediário de generalidade.

Grande parte da diferença existente entre o comportamento diário da criança e do adolescente pode ser expressa da seguinte maneira: o adolescente, como a criança vive no presente, mas ao contrário da criança também vive muito na dimensão ausente, isto é no futuro e o no reino do hipotético. Seu mundo conceitual está povoado de teorias informais sobre si mesmo e sobre a vida, cheio de planos para o seu futuro e o da sociedade, em resumo, cheio de ideias que transcendem a situação imediata, as relações interpessoais atuais, etc.

  1. Conclusão

Diante deste trabalho concluímos que diversos autores relatam sobre o desenvolvimento biopsicossocial do adolescente e que segundo as fases psicossexuais de Freud, 11 anos de idade é período de latência, o qual o sujeito está quase adentrando ao estágio genital; para Erik Erikson esta idade é marcada pela fase Indústria versus Inferioridade e o começo da identidade versus confusão de papel. Os quais referem-se ao início do período adolescentário, podendo apresentar sintomas da síndrome normal da adolescência de Mauricio Knobel.

De acordo com o autor Knobel, esse período é marcado por conflitos decorrentes as mudanças corporais, emocionais, sociais e outras. Nele o indivíduo está em constante busca de si, se identificando com outros grupos e se adequando com esse novo corpo e as novas responsabilidades que são impostas e incumbidas a ele. Além dos lutos sofridos pela perda do corpo infantil, o papel e identidade infantil e dos pais infantis.

Nessas transformações, ressalta-se a intelectualidade que é de extrema importância durante a adolescência, visto que, nessa fase, a inteligência toma a sua forma final com o pensamento abstrato ou formal. Para Piaget (1949), ocorre entre os 11-12 anos e os 14-15 anos. Estas modificações podem influenciar no entendimento das regras. Esse pensamento tido como período das operações formais, vai ajustar o adolescente ao mundo real e ao seu quotidiano, além disso, proporcionando a capacidade de formular grandiosas teorias e ideias.

  1. Referências

Farias, T. , Nantes, E. & Aguiar. S. Fases Psicossexuais Freudiana, 2015.

Corrêa, C. & Pinheiro, G. Período de latência e tempo para compreender nas aprendizagens, 2013.

Rabello, E. T & Passos, J. S. Erikson e a teoria do desenvolvimento. Disponível em http://www.josesilva.com/artigos/erikson.pdf no dia 15 de abril de 2018, às 14h47min.

Erikson, E. Infância e Sociedade – As oito Idades do homem. Ed. Zahar, 1976.

Piaget, J. Epistemologia Genética. Tradução: Álvaro Cabral. 3ª ed. Martins Fontes: São Paulo, 2007.

Piaget, J. & Inhelder, B. Da Lógica da Criança a Lógica do Adolescente. São Paulo: Ed. Pioneira, 1976.

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